7 de maio de 2009

Lixo urbano é um dos maiores problemas do século

Arquivado em: Planeta Inteligente planetainteligente - 9:37

Cenário vem melhorando, mas ainda é um desafio para as metrópoles. Cada brasileiro produz quase 360 quilos de lixo por ano.

Enquanto cada brasileiro produz em média 920 gramas de lixo sólido por dia, a quantidade de lixo reciclável que é recuperada, seja na coleta seletiva seja por catadores, chega apenas a 2,8 kg por ano, por habitante. “É um volume baixo em relação ao que é produzido porque, na verdade, a coleta seletiva atinge um percentual só do volume produzido”, afirmou, em entrevista à Agência Brasil, o secretário nacional de Saneamento Ambiental, Leodegar Tiscoski.

Os dados são do Diagnóstico do Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos/2007, feito pelo Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento (SNIS), divulgado pelo Ministério das Cidades.

Apesar do baixo índice de coleta seletiva, o secretário disse que a quantidade de lixo produzido pode ser considerada boa. “Só que nos países desenvolvidos, esses volumes tendem a diminuir, uma vez que já existe uma política de redução da produção de lixo, ou seja, tanto nos domicílios quanto na indústria, o que é levado para a coleta é um volume menor, porque há uma redução na produção e também há seleção prévia desse lixo, do que não vai para o aterro, mas para a reciclagem”.

O diagnóstico do SNIS obteve informações de 247 municípios, que concentram quase 50% da população brasileira. Nessas cidades, 90% dos habitantes são atendidos pelo serviço de coleta de resíduos sólidos, lixo produzido em casa e na indústria que não é enviado para o esgoto.

No entanto, a coleta seletiva formal, feita com caminhões adequados, está presente em 55,9% dos municípios pesquisados, enquanto catadores de lixo trabalham em 83% dos casos. Entre os principais materiais coletados estão papel e papelão (44,3%), plásticos (27,6%) e metais (15,3%).

Atualmente, segundo o secretário, existem no Brasil mais de 700 mil catadores de lixo reciclável. Cerca de 53% dos catadores dos municípios pesquisados estão ligados a alguma cooperativa. Em 160 cidades, “foram destinados [pela secretaria] R$ 50 milhões para a construção de galpões de catadores, um programa que visa a organizar essa classe”, para dar condições de trabalho melhores nas cooperativas e associações, informou Tiscoski.

Na opinião do secretário, são necessárias ações tanto para conscientizar a população sobre a importância da separação do lixo em casa quanto para instrumentalizar a coleta seletiva nos municípios. “De nada adianta ter uma seleção no domicílio se é tudo jogado dentro de um volume só, se não há tratamento; o transporte e a destinação têm de ser separados”, acrescentou.

 

Números

Os dados mais recentes sobre reciclagem são de 2007. A taxa de recuperação de papéis recicláveis evoluiu de 30,7%, em 1980, para mais de 50%; a reciclagem de plásticos pós-consumo é da ordem de 17,5%, sendo que na Grande São Paulo o índice é de 15,8% e, no Rio Grande do Sul, de 27,6%; a reciclagem de embalagens PET cresceu de 16,25%, em 1994, para mais de 42% em 2006; a reciclagem das embalagens de vidro cresceu de 42% para cerca de 50 entre 2001 e 2006; o Brasil é o líder de reciclagem de latinhas de alumínio, entre os países onde não é obrigatória por lei a reciclagem, tendo alcançado, em 2007, o índice de 92%; já o índice de reciclagem de latas de aço para bebidas evoluiu de 43% em 2001 para 75% em 2005 - este último é o dado mais confiável disponível.

 

Fontes: Agência Brasil, Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento (SNIS) e Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe)

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