29 de maio de 2009

Brasil precisa apostar mais em P&D

Arquivado em: Planeta Inteligente planetainteligente - 9:11

Ranking das 1.000 companhias multinacionais que mais investem em Pesquisa & Desenvolvimento tem quatro empresas brasileiras.

Estudo anual Innovation 1000, realizado pela consultoria Booz & Company com as mil empresas mais inovadoras do mundo, indica que os investimentos em P&D (Pesquisa & Desenvolvimento) continuam a crescer em todo o planeta - apesar da crise (ou por causa dela).

Entre outubro de 2007 e outubro de 2008, as corporações investiram US$ 492 bilhões em P&D, cerca de 10% a mais do que o registrado no mesmo período entre 2006 e 2007 e muito acima da taxa de crescimento de 6,7% registrada desde 1999 - quando a pesquisa começou a ser feita. Um dado importante é que a maioria absoluta das mil empresas (91%) realizou suas atividades em P&D fora de suas matrizes, em diversos países.
Os setores que mais investiram na área foram Computação e Eletrônicos (US$ 142 bilhões) e Farmacêuticas (US$ 109 bilhões), seguidos pela indústria automobilística (US$ 79 bilhões) e as indústrias de base (US$ 46 bilhões).

A pesquisa da Booz & Company revela também que as empresas multinacionais gastam, em média, 45% de todo seu orçamento para P&D em seus países de origem. Já os outros 55% do montante são distribuídos entre os países que representam mercados promissores para as companhias.
Somente quatro empresas brasileiras figuram no ranking das que mais investem em P&D. São elas: Petrobras (117ª colocada), Vale (140ª), Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica, 314ª) e Copel (Cia Paranaense de Energia, 985ª).
Apesar de o investimento das empresas nacionais em inovação ter apresentado crescimento significativo entre 2006 e 2008, saltando de US$ 1,558 bilhão para US$ 1,910 bilhão, o Brasil representa meros 0,4% de todo o montante destinado a P&D pelas empresas pesquisadas.

Fontes: Booz & Company e Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei)

28 de maio de 2009

Um drama chamado Analfabetismo Funcional

Arquivado em: Planeta Inteligente planetainteligente - 9:26

Pesquisa revela que (falta de) educação dos funcionários gera perdas de até US$ 10 bilhões por ano às empresas brasileiras.



Os números, impressionantes, fazem parte de uma ampla pesquisa de um curso de doutorado da USP: cerca de 78% dos funcionários do setor de produção das montadoras de São Bernardo do Campo (no Grande ABC paulista) não conseguem compreender informações fundamentais para o desenvolvimento de sua atividade.
Simples manuais de instruções de equipamentos ou comunicados do departamento de RH tornam-se enigmas indecifráveis para essa imensa maioria de trabalhadores. É o chamado “analfabetismo funcional”, que gera prejuízo às empresas pelo país afora.
Outra informação também chama a atenção: entre os pesquisados, 66% ostentam, pelo menos, nível médio; e alguns até nível superior.
A tabulação da pesquisa, obra de quase um ano de trabalho do professor de finanças e consultor de empresas Geraldo Galhano, indica que três em cada quatro operários não conseguem interpretar textos simples, localizar informações ou entender tabelas - e, portanto, não estão aptos a participar de programas de treinamento de qualificação profissional.
De acordo com o INAF 2007 (Índice Nacional de Alfabetismo Funcional), do Instituto Paulo Montenegro – entidade sem fins lucrativos vinculada ao Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) –, 32% da população brasileira é analfabeta funcional, número que, embora muito alto, vem melhorando desde 2001 (ano da primeira pesquisa), quando batia nos 40%.
A falta de compreensão por parte dos funcionários não é somente um problema social, mas também reflete diretamente nos negócios das empresas. De acordo com a pesquisa de Galhano, as companhias do país perdem, anualmente, entre US$ 6 bilhões e US$ 10 bilhões em razão do analfabetismo funcional. A conta leva em consideração os gastos dessas empresas com a reeducação de seus funcionários e treinamento intensivo, o que faz com que os empregados percam dias de trabalho, o que diminui a produção.

Veja, abaixo, alguns dos pontos mais singulares da pesquisa do INAF:

>> A maioria (64%) dos brasileiros entre 15 e 64 anos que estudaram até a 4ª série atinge, no máximo, o grau rudimentar de alfabetismo, ou seja, tem, no máximo, a habilidade de localizar informações explícitas em textos curtos ou efetuar operações matemáticas simples, mas não são capazes de compreender textos mais longos, localizar informações que exijam alguma inferência ou mesmo definir uma estratégia de cálculo para a resolução de problemas.
>> Ainda mais grave: 12% destes brasileiros podem ser considerados analfabetos absolutos em termos de habilidades de leitura/escrita, não conseguindo nem mesmo decodificar palavras e frases, ainda que em textos simples, e apresentando grandes dificuldades em lidar com números em situações do cotidiano, apesar de terem cursado de um a quatro anos do Ensino Fundamental.
>> Dentre os que cursam ou cursaram da 5ª à 8ª série, apenas 20% podem ser considerados plenamente alfabetizados, enquanto que a maioria se enquadra no nível básico de alfabetismo. Chama mais a atenção o fato de que 26% dos que completaram entre a 5ª e a 8ª séries do Ensino Fundamental ainda permanecerem no nível rudimentar, com sérias limitações tanto em termos de suas habilidades de leitura/escrita quanto em matemática.
>> Outro dado chocante é que apenas 47% dos que cursaram ou estão cursando o Ensino Médio atingem o nível Pleno de alfabetismo (esperado para 100% deste grupo); mais da metade desse universo permanece no nível básico.
>> Somente entre os que chegaram ao Ensino Superior (ou o completaram) é que prevalecem (74%) os indivíduos com pleno domínio das habilidades de leitura/escrita e das habilidades matemáticas.

Fontes: USP, Diário do Grande ABC e Instituto Paulo Montenegro

27 de maio de 2009

Poluição custa US$ 1 bilhão por ano ao Brasil

Arquivado em: Planeta Inteligente planetainteligente - 8:33

Estudo inédito da USP analisou o ar em 6 regiões metropolitanas e concluiu que maior vilão ambiental é a frota de veículos.

A má qualidade do ar custa pelo menos US$ 1 bilhão - cerca de R$ 2,3 bilhões - aos cofres públicos brasileiros a cada ano, principalmente com as mortes ou tratamento de doenças associadas, direta ou indiretamente, à poluição. O valor está no primeiro estudo latino-americano a quantificar o estrago financeiro causado pelos gases tóxicos emitidos na atmosfera. A conclusão é fruto de uma análise exclusiva dos dados das primeiras avaliações de um dos centros de pesquisas mais importantes do mundo, o Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Universidade de São Paulo (USP). As informações são referentes a seis regiões metropolitanas do país: Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. 

O ranking da sujeira mostra São Paulo (US$ 300 milhões) na ponta, seguido por Rio de Janeiro (US$ 250 milhões), Porto Alegre (US$ 180 milhões), Belo Horizonte (US$ 150 milhões), Curitiba (US$ 140 milhões) e Recife (US$ 10 milhões). “Calculamos as perdas em dinheiro, pois ninguém se impressiona mais com pilhas de corpos. Não interessa quantos milhões de pessoas morrem. O único jeito de sensibilizar as autoridades para a implementação de políticas públicas é calcular custos”, afirma o coordenador do laboratório, Paulo Hilário Saldiva.

A pesquisa está sendo feita no Brasil a pedido do Ministério do Meio Ambiente. O objetivo é verificar os níveis de poluição, quanto está acima dos padrões, a quantidade gerada por veículos e o preço desse conjunto. As coletas começaram há um ano, mas todas as análises químicas e físicas estão concentradas em São Paulo. A interpretação dos dados será feita numa segunda fase e vai analisar o custo real da poluição, considerando o número de internações hospitalares, quantas pessoas morrem e a redução estimada do tempo de vida média dos habitantes.

A expectativa é de que os órgãos ambientais usem os resultados para medidas de compensações ambientais, para estimular empresas a adotarem técnicas menos poluidoras e incentivar melhorias no transporte coletivo.

A poluição atmosférica mata de 2,5 milhões a 4 milhões de pessoas por ano, em todo o mundo. A estimativa é do estudo intitulado The Global Burden of Disease, da Organização Mundial da Saúde e do Banco Mundial, feito na Universidade de Harvard. Os números representam um perigo real e são proporcionais a enfermidades tradicionais como a malária e a tuberculose. A partir dessas interpretações, os responsáveis pela pesquisa elaboraram uma fórmula para ensinar os países em desenvolvimento a calcular os gastos em saúde.

Além dos valores do tratamento propriamente dito, como os custos com as internações, a fórmula avalia os fatores indiretos associados às doenças: dias de trabalho perdidos, como a falta de um empregado afeta na produção e no saldo financeiro das empresas, redução de impostos, desestruturação da família, entre outros. 

 

Fontes: Correio Braziliense, EcoDebate, ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da USP e Ministério do Meio Ambiente

26 de maio de 2009

Mexilhão globalizado dá prejuízo às empresas de energia

Arquivado em: Planeta Inteligente planetainteligente - 7:58

Molusco chinês, que chegou ao país em 1991, entope as turbinas das hidrelétricas. O combate à praga custa tempo e dinheiro.



O mexilhão-dourado é um pequeno molusco bivalve (que possui duas conchas) originário da China, que chegou à América do Sul nas águas de lastro dos navios mercantes. Ele invadiu a bacia Paraná-Paraguai e põe em risco os usos múltiplos dos recursos hídricos. Este pequeno molusco fixa-se em qualquer substrato duro, tem hábito gregário e se reproduz rapidamente. A ausência de predadores naturais e parasitas que controlem sua população faz com que o “bichinho” se alastre pelas bacias hidrográficas brasileiras. Em 1991 foi encontrado na foz do rio da Prata, e hoje está presente no Pantanal e avança pelas usinas hidrelétricas brasileiras na bacia do rio Paraná.
A primeira infestação aconteceu em 2000, na usina de Yaciretá, na Argentina. Um ano depois, os mexilhões já estavam em Itaipu, a 400 quilômetros de Yaciretá. Em 2002, a hidrelétrica de Porto Primavera, da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), viu as máquinas pararem por causa de uma colônia dos moluscos.
Para amenizar os entupimentos, a Cesp investiu R$ 2 milhões em um sistema de injeção de cloro dentro das máquinas de quatro usinas, as de Ilha Solteira, Três Irmãos, Jupiá e Porto Primavera. “É sabido que o cloro, em doses muito pequenas, é capaz de conter um pouco a reprodução do mexilhão. Mas não significa a erradicação da colônia. Teremos de aprender a conviver com esses bichinhos”, diz o gerente do departamento de Meio Ambiente da Cesp, Milton Estrela. O diretor de manutenção e operação da estatal paulista, Luis Tadeu de Freitas, explica que, só para limpar os mexilhões dos equipamentos de Porto Primavera, a Cesp gasta, por ano, R$ 342 mil. Outros R$ 40 mil, diz ele, foram gastos em outra maneira de combate: a pintura das grades com tintas com substâncias que inibem a aderência do mexilhão aos equipamentos.
A questão tornou-se tão alarmante que o Ministério do Meio Ambiente criou, em 2003, uma força-tarefa para conter o avanço dos moluscos. A equipe de combate à praga conta com representantes de sete ministérios e 13 entidades ligadas a setores de energia, abastecimento e meio ambiente.

Conheça o mexilhão dourado
O mexilhão dourado (Limnoperna fortunei) pertence à família Mytilidae e tem, no máximo, 4cm de comprimento. É originário dos rios da China. Foi introduzido nos estuários da foz do rio da Prata, na Argentina, em 1991, através da “água de lastro” dos navios que fazem o comércio entre países asiáticos e a Argentina. Como toda praga que se preze, estima-se que o mexilhão dourado pode sobreviver até 7 dias fora do seu ambiente natural. Ou seja, é um adversário de respeito.

Onde ele é mais perigoso
O efeito das incrustações do mexilhão dourado tem sido observado em estações de captação e tratamento de água (tubulações e bombas). Ele obstrui sistemas de resfriamento das hidrelétricas e entope tubulações em geral, aumentando o custo de manutenção da indústria e das geradoras de energia elétrica.
Além disso, o mexilhão dourado cresce rapidamente dentro do sistema de refrigeração dos motores das embarcações, impedindo que a água circule. Isso causa aquecimento do motor e pode fundi-lo.
Outro prejuízo constante é registrado anualmente nas tubulações de abastecimento de água, de drenagem pluvial e de captação para a agricultura irrigada. Sem contar a perda sistemática de estruturas flutuantes destinadas ao lazer, por excesso de peso.

Fontes: Sistema de Controle de Pesca do Mato Grosso do Sul (SCPESCA/MS), Ministério do Meio Ambiente, CESP, Furnas Centrais Elétricas e Ambiente Brasil

25 de maio de 2009

Brasil cai no ranking de inovação

Arquivado em: Planeta Inteligente planetainteligente - 7:37

País perde lugar para o México e assiste à evolução de Índia e China. Se cenário se mantiver, ficaremos estagnados até 2013.

Se não começar a investir mais firmemente, o Brasil pode ficar para trás entre as nações emergentes no que diz respeito ao índice de inovação entre os países. Esta é a análise que se pode fazer do último ranking do Índice Global de Inovação, publicado pela revista Economist. O país perdeu uma posição na tabela, caindo do 48º para o 49º posto, entre 82 países analisados.

Quem vem ganhando terreno no ranking da publicação é a China, país mais populoso do globo – ela ocupava a 59ª posição na tabela em 2002 e subiu cinco posições no período entre 2004 e 2008.

A Economist Intelligence Unit – equipe responsável pela elaboração de análises econômicas para a revista britânica – prevê que os chineses alcancem a 46ª posição no período 2009-2013, enquanto que o Brasil deve permanecer em sua atual colocação.

Outro grande país emergente que vem subindo no ranking é a Índia. A segunda nação mais populosa do globo vem investindo maciçamente em inovação na última década e subiu da 58ª para a 56ª posição no geral. Para o período entre 2009-2013, a Economist estima que a Índia galgue mais duas posições, estabelecendo-se no 54º lugar.

A pesquisa da revista mostra também que o Brasil está, atualmente, atrás de outros dois países latino-americanos em desenvolvimento – a Argentina, que ocupa a 42ª posição, e o México, que nos tomou o 48º lugar. O Japão, uma das pátrias da inovação, permanece como primeiro na tabela, seguido por Suíça, Finlândia, Alemanha, Estados Unidos, Taiwan, Suécia, Israel, Holanda e Dinamarca.

O levantamento deste ano prevê uma queda no índice geral de inovação no futuro próximo, por causa da atual crise econômica. No ranking divulgado em 2007, a Economist Intelligence Unit previa aumento médio de 6% na performance global de inovação entre 2007 e 2011. Agora, o estudo prevê aumento médio de somente 2% entre 2009 e 2013.

 

Fontes: Economist Intelligence Unit, Agência Brasil

22 de maio de 2009

O desafio brasileiro das pilhas e baterias

Arquivado em: Planeta Inteligente planetainteligente - 9:04

Elas são descartadas sem critério e as empresas ainda enfrentam a pirataria. O resultado: prejuízo e muito lixo eletrônico.

 

 

Segundo pesquisa do Greenpeace, estima-se que sejam produzidas entre 20 milhões e 50 milhões de toneladas de sucata eletrônica no Brasil anualmente – ou cerca de quatro mil toneladas por hora.

Grande parte do problema advém de pilhas e baterias alcalinas descartáveis, que continuam sendo eliminadas sem critério pela população, apesar de muitas cidades do país contarem com postos de coleta. Na região metropolitana de São Paulo, por exemplo, existem vários desses postos. Mas, de acordo com o pesquisador e professor do Departamento de Química Analítica do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Júlio Carlos Afonso, ainda falta divulgação adequada e incentivos às empresas para que o cenário possa realmente se transformar. 

“Houve uma grande divulgação de campanha de coleta assim que a resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) foi implementada, em 1999. Havia coletores de pilhas e baterias em lojas, empresas e estabelecimentos municipais para a população. Depois de algum tempo, essas campanhas foram cedendo e caindo no esquecimento”, lamenta Afonso. “Só que este é o tipo de assunto que precisa estar sempre na mídia”.

Outro problema nacional é a falta de aterros para a destinação final de pilhas e baterias. Cerca de 10% dos municípios brasileiros as deposita em aterros sanitários, o que não é uma solução adequada. Os outros 90% não dispõem sequer de aterros sanitários; com isso, acabam jogando pilhas e baterias em lixões e terrenos baldios.

Além disso, a pirataria ajuda a piorar a situação. Por causa do baixo preço, pilhas e baterias falsificadas estão em rádios, MP3 players, brinquedos, entre outros equipamentos Brasil afora. São 400 milhões de unidades contrabandeadas todos os anos. O que pouca gente sabe é que a pilha pirata contém dez vezes mais mercúrio e sete vezes mais chumbo em sua composição do que o permitido pela Resolução 257/99 do Conama. 

Como, ainda por cima, elas têm baixa durabilidade, acabam gerando uma quantidade de lixo químico ainda maior .

 

Fontes: Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), Greenpeace, Departamento de Química da Universidades Federal do Rio de Janeiro e Universidade Metodista de São Paulo

21 de maio de 2009

Burocracia e carga tributária travam crescimento econômico

Arquivado em: Planeta Inteligente planetainteligente - 8:38

Números do relatório Doing Business mostram como o Brasil ainda tem um longo caminho a trilhar em busca da competitividade.


No mundo inteiro, os países – mais ou menos desenvolvidos – lutam contra várias e diferentes formas de burocracia e buscam simplificar procedimentos. Prova disso é o relatório Doing Business, publicação do Banco Mundial (BIRD) e da Corporação Financeira Internacional, que anualmente compara a regulamentação em 178 economias.
O documento é uma ferramenta útil para avaliar os regulamentos que têm impacto direto no crescimento econômico e identificar reformas que possam gerar melhores práticas. No relatório Doing Business 2008, o Brasil ocupa posições que deixam muito a desejar no que se refere ao excesso de formalidades. Mesmo com a nova Lei de Falências e as reformas do Código de Processo Civil, que refletiram a nosso favor, ficamos em 127º lugar entre os 178 países pesquisados no quesito facilidade para abertura de empresas. Estamos à frente de Gana, mas atrás, por exemplo, da Costa Rica.
Com dois passos é possível abrir uma empresa na Austrália, no Canadá e na Nova Zelândia, enquanto que na Guiné Equatorial são precisos vinte”, registra o relatório. O Brasil está mais próximo da Guiné do que da Austrália, com 18 procedimentos diferentes.
Outro ranking macabro da publicação do BIRD é o que classifica os países pela facilidade de se fazer negócios em geral. O Brasil (aliás, Brazil) aparece em 125º lugar.
A dificuldade para obtenção de alvarás, principalmente licenças para construir, também é grande por aqui (107º lugar): são necessários 411 dias e dezoito procedimentos a um custo seis vezes maior do que para se abrir uma empresa.
Quanto à contratação de funcionários, o 121º lugar é creditado, principalmente, à nossa legislação trabalhista. Na avaliação geral, o relatório assinala: “Muitos países erram pelo excesso de rigidez, em detrimento das empresas e também dos trabalhadores. (…) Leis criadas para proteger os trabalhadores muitas vezes os prejudicam, em especial as mulheres, os jovens e os trabalhadores não qualificados. Suas oportunidades de emprego desaparecem.”
Nosso pior desempenho, como já acontece há alguns anos, é o ranking da carga tributária: 145º lugar. Além de pagar muitas taxas — a alíquota total está acima dos 60% dos lucros — uma empresa brasileira consome 2.600 horas de trabalho por ano com a burocracia de recolhimento de impostos, contra uma média de 406 horas na América Latina e 183 horas na Europa. “Os investidores estão cientes dessas diferenças e fazem suas escolhas baseados nelas”, alerta o documento.

Fontes: Banco Mundial (BIRD), Corporação Financeira Internacional e Projeto Doing Business

20 de maio de 2009

Previdência precisa ser mais transparente

Arquivado em: Planeta Inteligente planetainteligente - 9:06

Instituto Nacional do Seguro Social sofre com desvio de verbas e acumula prejuízos anuais. O rombo já ultrapassa R$ 425 bi.

Os números são do INSS e foram divulgados ontem. Somente em abril, a Previdência Social arrecadou R$ 14,1 bilhões e pagou benefícios no valor de R$ 17,2 bilhões, o que resultou em um déficit de R$ 3,1 bilhões. Em relação a abril de 2008, o rombo teve crescimento de 5%.
O déficit nas contas aumentou 14% no primeiro quadrimestre de 2009, para R$ 15,2 bilhões, na comparação com o mesmo período do ano passado. A arrecadação foi de R$ 53,8 bilhões, e as despesas bateram em R$ 69 bilhões.
Pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) no ano passado já expunha o tamanho de um problema que atinge todo o país: o rombo nas contas da Previdência atinge 18 dos 26 estados brasileiros.
O total do rombo na Previdência dos estados ultrapassava os R$ 425 bilhões no final de 2007 (último dado disponível) - e metade deste prejuízo é de responsabilidade do INSS dos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul. Especialistas garantem, entretanto, que o déficit da Previdência Social poderia ser equacionado se houvesse um sistema de arrecadação mais transparente, e que pudesse, mesmo, ser controlado em tempo real pela população.
O secretário de Previdência Social, Helmut Schwarzer, informou, em entrevista à imprensa, que está mantida, até o momento, a previsão de que o déficit do INSS suba para R$ 40 bilhões neste ano, contra R$ 36,2 bilhões em 2008. A estimativa consta na revisão do orçamento de 2009, realizada em março pelo Ministério do Planejamento.

Fontes: INSS, Ministério do Planejamento e Índice de Desenvolvimento Previdenciário (IDP)

19 de maio de 2009

Trânsito em São Paulo gera estresse e prejuízo

Arquivado em: Planeta Inteligente planetainteligente - 8:56

Além de poluir, congestionamento faz com que os paulistanos deixem de produzir o equivalente a mais de R$ 4 bilhões por ano.

Em 1970, São Paulo contava 14 mil quilômetros de vias públicas. Em 2007, o número havia crescido muito pouco – a cidade passou a ter 15,5 mil quilômetros de ruas e avenidas. Já a frota paulistana passou de 900 mil veículos, em 1970 (o que já é bastante), para mais de 6 milhões no final de 2008.
De acordo com a Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos de São Paulo, o custo dos congestionamentos na cidade é de pelo menos R$ 4,1 bilhões por ano.
O cálculo considera que os paulistanos poderiam converter em renda ao menos 30% do tempo que perdem nos deslocamentos de ida e volta para o trabalho, além das perdas financeiras com acidentes de trânsito e com a poluição.
Mas segundo o secretário dos Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, o cálculo é subestimado: “A perda é muito maior, se levarmos em conta o serviço malfeito decorrente do esgotamento das pessoas, após viagens exaustivas em um transporte coletivo ineficiente e em um trânsito absolutamente travado”.
O cenário caótico, acredite, pode piorar. Nos EUA, pátria do carro, a média atual é de um veículo cada 1,2 habitante; no Brasil, esse índice é de 1 para cada 7 habitantes. Ou seja, a frota ainda tem grande potencial de crescimento.

Fontes: Detran e Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos de São Paulo

18 de maio de 2009

Brasil é um dos piores do mundo em áreas fundamentais de ensino

Arquivado em: Planeta Inteligente planetainteligente - 7:08

Baixos salários e total falta de tecnologia são as principais causas do problema. Violência em sala de aula também preocupa.

Segundo pesquisa realizada em 57 países pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), o Brasil é um dos países com pior nível de educação de ciências para estudantes de 15 anos - ficando à frente apenas de Colômbia, Tunísia, Azerbaijão, Catar e Quirguistão. 
O teste mediu, basicamente, o conhecimento de ciências, mas também a capacidade de leitura e incluiu noções de matemática - e como os estudantes aplicavam esse conhecimento para resolver problemas do dia-a-dia.
A pesquisa, que se baseia em testes realizados em 2006, afirma que os resultados têm confiabilidade de 95% e que o Brasil estaria entre as posições 50 e 54 da lista.
Para chegar a estes resultados foram testadas as habilidades de mais de 400 mil estudantes nos 57 países que, juntos, correspondem a cerca de 90% da economia mundial. Os estudantes da Finlândia ficaram em primeiro lugar, seguidos pelos de Hong Kong (na China) e os do Canadá.
A pesquisa é o principal instrumento de comparação internacional do desempenho entre estudantes do ensino médio. 
Segundo o Ministério da Educação, o investimento público em educação no ano de 2007 foi de R$ 1.500 por aluno. “O ensino médio teve um incremento muito importante por parte dos governos estaduais, com aumento de 50% de 2005 para 2007″, afirmou o ministro da Educação, Fernando Haddad, em entrevista à imprensa em evento no Instituto Ayrton Senna, em Brasília, no mês de abril, após a divulgação dos resultados do ENEM 2008. “Mas claro que esse valor ainda é baixo. O que é investido anualmente praticamente se compara a uma mensalidade das melhores escolas particulares do país”.
Estudos da ONU revelam que a educação e a riqueza (ou a pobreza) de um país estão intimamente ligados. Segundo a entidade, países que investem porcentagens maiores do PIB em educação, em períodos de mais de 20 anos, diminuem significativamente seus índices de miséria.
 


 

Fontes: Ministério da Educação, INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) e OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico)

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