Aumento de roubo de cargas pressiona a inflação
Falta de segurança e de tecnologias de monitoramento ajudam os criminosos. E quem paga essa conta, no final, é o consumidor.

Entre 2001 e 2008 (últimos dados disponíveis), mais de 300 empresas de transporte de cargas foram à falência devido a problemas econômicos gerados pelo roubo de cargas. Os dados são da Confederação Nacional do Transporte (CNT). Anualmente, cerca de 11 mil ocorrências desse tipo de crime são reportadas em todo o país, segundo estimativas da assessoria de segurança da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC & Logística).
A questão é séria e, para ser contornada, precisa de investimentos em logística e também em tecnologias de monitoramento - cujos custos aumentam o frete e, consequentemente, o preço do produto ao consumidor final. É um desafio para este novo milênio.
A prática do roubo de cargas vem aumentando consideravelmente no Brasil. A frequência do crime motivou, inclusive, a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), no Congresso Nacional.
A atividade de transporte de carga no país envolve mais de 60 mil empresas e 700 mil transportadores autônomos, totalizando 2,5 milhões de trabalhadores. Trata-se de um setor fundamental para a economia nacional, já que o transporte rodoviário é responsável, atualmente, por 60,5% de toda a movimentação de cargas no Brasil.
Estamos falando de um faturamento anual de cerca de R$ 25 bilhões. Ao todo, mais de 1,5 milhão de caminhões atravessam o país diariamente; e os motoristas se sentem cada vez mais inseguros e ameaçados. Em muitos casos, eles têm a carga roubada e são mortos pelos criminosos.
Segundo a CNT, o roubo de cargas causa prejuízos que ultrapassam R$ 1 bilhão todos os anos. Além disso, a possibilidade de perda da carga durante o trajeto entre o produtor/fabricante e o varejo/consumidor faz aumentar em até 40% o custo do seguro, o que diminui, sensivelmente, o lucro das empresas transportadoras. O crime, portanto, contribui também para o aumento dos custos dos produtos transportados, pressionando a inflação.
Fontes: CNT e ANT








